Bursite

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Nas articulações existem pequenas estruturas com o formato de bolsas que armazenam líquidos sinoviais, uma substância de aspecto viscoso, com características de gel. As bursas contribuem para a proteção de choque e diminuem pressões e o atrito entre duas estruturas vizinhas (tendões, ligamentos e ossos).

As bursas estão em muitas regiões do corpo, mas concentram-se próximas às articulações, nas áreas de contato entre tendões, entre tendões e ossos, ou entre a superfície do osso e a pele. O joelho possui em torno de 8 bursas e podem causar sintomas intensos e limitantes. No quadril, a bursa trocantérica (sobre o trocânter maior do fêmur) é uma das mais afetadas por inflamações. Ombro, cotovelo, pés e tornozelos apresentam bursas menores, mas sintomáticas durante as inflamações.

Dentre as principais causas das bursites destacam-se os traumatismos locais, o excesso de movimentos repetidos, as lesões por esforços musculares, as artroses e demais problemas articulares.
Quando ocorre uma bursite, as paredes da bursa atingida tornam-se mais espessas e passam a produzir mais líquido. Isso resulta em inchaço local, rigidez, irritação da pele, compressão das estruturas adjacentes e dores, sentidas principalmente ao movimentar-se a região afetada.

Diagnóstico

O diagnóstico da bursite pode ser realizado por meio da história clínica do paciente e de testes específicos, tais como: radiografias; ultra-sonografias, que permite identificar as bursas e determinar suas dimensões, além de revelar características de seu conteúdo; de ressonâncias magnéticas, possibilita identificar as bursas de forma mais anatômica, além de afastar outros diagnósticos, como as lesões articulares e as sinovites, e também por exames laboratoriais, que informam características do liquido, além de permitir uma análise microscópica específica a depender do nível de infecção.

Sintomas

Os sintomas mais comuns da bursite são:

* Dor;

* Edema (inchaço);

* Inflamação;

* Restrição de movimento.

As Bursites

O corpo humano possui várias bursas, distribuídas em locais estratégicos. Algumas delas apresentam maior incidência de inflamações, tais como:

1) Na região do ombro

1.1) Bursite Subacromial

A bursa subacromial facilita o movimento entre a tuberosidade maior do úmero, onde se inserem o supra-espinhoso, o infra-espinhoso e o redondo menor. Ao levantar o braço lateralmente, ocorre a compressão desta bursa com uma parte óssea chamada acrômio.

A inflamação da bolsa subacromial manifesta-se por um quadro agudo, caracterizado por dores intensas ao nível do ombro, podendo irradiar à região cervical, ao braço e inclusive ao antebraço e dedos, acompanhando-se de uma incapacidade funcional marcada. O quadro poderá confundir-se facilmente com uma nevralgia cervico-braquial ou mesmo até com uma artrite séptica, pois poderá haver uma tumefacção, com calor local, ligeira febrícula e aumento da velocidade de sedimentação.

1.2) Bursite Subcoracóide

Em geral, esse tipo acontece quando há rotações violentas e repetidas do úmero, que se articula com as estruturas do ombro. É o que acontece com atletas como arremessadores de disco, jogadores de tênis de mesa ou em motoristas de caminhões pesados os principais sintomas dessa inflamação incluem dor localizada na região anterior do ombro e limitação dos movimentos de rotação lateral do ombro e flexão horizontal do braço.

1.3) Bursite Subdeltóidea Aguda

A bursite subdeltóidea aguda é a causa mais freqüente da limitação da mobilidade articular que não respeita as proporções capsulares. Esta doença tem início súbito, atingindo seu apogeu em apenas três dias. O paciente refere dores de intensidade progressiva, inicialmente localizadas no ombro e projetando-se em seguida até o punho. O exame revela acentuada limitação da mobilidade. Esta afecção difere do padrão capsular pela limitação predominante da abdução, enquanto a rotação externa se revela praticamente normal. As dores costumam ser muito intensas durante os primeiros dez dias; a cura espontânea leva cerca de seis semanas. É perfeitamente possível que ocorra uma recaída dentro dos cinco anos seguintes, seja no mesmo ombro, seja no lado oposto. A calcificação do tendão do músculo supra-espinhal é capaz de provocar a bursite aguda, quando os sais de cálcio se distribuem de repente na luz da bolsa subdeltóidea.

1.4) Bursite Subdeltóidea Crônica

Pode ser primária ou secundária, em analogia ao que ocorre com afecções da articulação acrômio-clavicular. Todavia, cumpre assinalar que a bursite crônica não apresenta a continuação ou a seqüela tardia da bursite aguda.
A bursite crônica “primária” pode ocorrer em qualquer período etário entre os 15 e 65 anos. Parece ser secundária a alguma outra afecção do ombro, geralmente de natureza degenerativa, a qual por si só não provoca sintomas.
A bursite crônica secundária é muito mais freqüente que a forma primária. Trata-se sempre de seqüela de alguma afecção do manguito, de alguma patologia da articulação acrômio-clavicular ou da presença de irregularidades no acrômio e/ou no grande tubérculo (após fratura, por exemplo).

2) Na região do cotovelo

Bursite olecraniana

Muito comum em certas profissões em que se apóia o corpo sobre o cotovelo, como pintores e bombeiros hidráulicos. Após um trauma, o cotovelo incha rápido e a pele pode apresentar arranhaduras ou cortes. Se o cotovelo estiver com edema, provavelmente é algo crônico, que promove pressão por depositar o peso sobre este. O local pode ficar doloroso, sensível ao toque ou incapaz de se movimentar normalmente. Caso a pele esteja vermelha e quente, pode ser sinal de uma infecção.

3) Na região do Quadril

3.1) Bursite Trocantérica

Bursite trocantérica também é conhecida como bursite no quadril, localizada entre tendões da região lateral do quadril, causando dor ao deambular, ficar muito tempo em pé e sentado numa mesma posição.

Entre outras causas encontradas destaca-se que, corredoras do sexo feminino com ângulo Q aumentado com ou sem discrepância no comprimento dos membros. Aqueles que têm o pé supinado, apresentam maior tendência para adquirir bursite trocantérica devido à imposição do estresse na área. Nos esportes de contato pode haver bursite hemorrágica, devido exatamente o contato físico com a área.

O paciente vai apresentar dor na região lateral do quadril região do trocanter. Pode haver irradiação para parte lateral ou póstero – lateral da coxa. Dor é gerada pelos movimentos do quadril, em especial ao andar ou subir escadas. Se muito forte pode perturbar o sono se o paciente se deitar para o lado afetado.

O curso dos sintomas é prolongado ou exacerbado em função da atividade praticada. O paciente refere dor à palpação sobre o local acometido.

3.2) Bursite Isquiática

A bursa isquiática está localizada entre a tuberosidade isquiática (ísquio) e o Glúteo máximo. Quase sempre presente em pessoas que ficam muito tempo sentadas. Em atletas quase sempre provocada por trauma direto na região.

O atleta/desportista pode sentir dor durante a marcha quando o quadril se encontra em flexão. Subir escadas, caminhar e subir em terrenos íngrimes e aclives também podem produzir dor.

Com o quadril em flexão o atleta/desportista pode referir dor à palpação.

3.3) Bursite Iliopectínea

Na maioria das vezes confundida com estiramento do músculo psoas. Diferenciar é bastante complicado, somente através de exames complementares e ainda assim devendo correlacionar com os dados clínicos.

Em geral, a bursite é provocada pelo encurtamento do músculo psoas (potente flexor do quadril), ou também secundária a uma osteoartrite do quadril. Flexão resistida do quadril, na posição sentada com flexão do joelho ou deitado em posição supina com joelho estendido, pode reproduzir dor.

Como também a extensão passiva do quadril com o joelho estendido pode reproduzir dor. Pode surgir dor à palpação na região inguinal. Em alguns casos pode haver inflamação do nervo femoral, que se encontra próxima a esta área, provocando dor e irradiação para parte frontal da coxa e do joelho.

4) Na região dos joelhos

4.1) Bursite pré-patelar

Essa bolsa fica entre a superfície anterior da patela e a pele. Comumente está envolvida em trauma direto, com frequência de natureza repetitiva e crônica, produzindo o “joelho de criada”.

O exame mostra uma tumefação proeminente e característica na frente da patela, que pode aumentar de tamanho. A bursite aguda também pode ser causada por infecções ou gota.

4.2) Bursite infrapatelar

Essa bolsa fica entre o tendão patelar e o corpo adiposo infrapatelar. A bursite é produzida pelo mesmo mecanismo da tendinite patelar (lesões por “overuse” ou por excesso de atividade que ocorrem com o uso excessivo do tendão patelar).

A dor pode ser reproduzida com extensão total ou flexão passiva total do joelho. É melhor observar a bolsa distendida com o joelho totalmente estendido, destacando-se ambos os lados do tendão patelar, sendo que a flutuação entre os dois lados pode ser demonstrada.

4.3) Bursite anserina

Essa bolsa fica entre o ligamento colateral e sua inserção na tíbia e a inserção tendínea, que a recobre. A bursite pode ser produzida por trauma direto, mas é mais comum após lesão por uso excessivo ou como complicação de uma osteoartrite do joelho. A dor tende a ser bem localizada e pode piorar com a resistência à flexão do joelho.

4.4) Bursite semimenbranácea

Essa bolsa é encontrada na fase medial da fossa poplítea, entre a cabeça medial do gastrocnêmio e o tendão semimenbranáceo. Comunica-se com a articulação do joelho e também com outra bolsa na cápsula posterior do joelho.

O edema devido à bursite é observado e sentido com mais precisão com o joelho em extensão.

Em adultos ele normalmente resulta em sinovite do joelho e em crianças se apresenta como um grande edema cístico na fossa poplítea.

4.5) Bursite bicipital

A bolsa bicipital fica entre a inserção do tendão do bíceps da coxa e o ligamento colateral fibular na cabeça da fíbula. A bursite pode desenvolver-se como complicação de uma lesão por uso excessivo do tendão do bíceps ou como estiramento do ligamento.

Apresenta-se como um pequeno edema e pode ficar mais evidente com a resistência à flexão do joelho, e precisa ser diferenciada de cisto do menisco lateral, que fica sobre a linha articular.

5) Na região do calcâneo

Bursite calcânea

Duas bolsas uma profunda e outra superficial, tem relação com o tendão do calcâneo. A bolsa calcânea posterior superficial fica entre a pele e o tendão; a bursite, em geral, é produzida por atrito contra o sapato, especialmente os que tem saltos altos.

A bolsa retrocalcânea profunda fica entre o tendão e o calcâneo, como um capuz sobre o ângulo póstero-superior do osso. A bursite retrocalcânea, que pode estar associada à tendinite do calcâneo, produz edema, observado nas laterais do tendão.

Pode haver hipersensibilidade, que se manifesta ao apertar a parte frontal do tendão com o polegar e o indicador.

Fonte Site: www.fisiowebgate.com.br

Livro: Ortopedia e Reumatologia – Diagnóstico e Proposta

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